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Mulher Amélia

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Mulher nem Amelia nem Moderna
Entrevista cedida pela psicóloga Yasmin Daibs para jornalista Juliana Falcão
Terceira mulher - nem Amélia, nem moderna
A Amélia, a mulher de verdade, não morreu. Pelo contrário, ela apenas se adequou aos novos tempos. E a mulher moderna, cada vez mais exigente e atarefada, busca no sexo oposto não apenas aconchego, mas se espelha na disposição que ele tem para lutar diariamente por seu lugar ao sol para alcançar seus próprios objetivos
Tanto é que este misto de personalidade (fragilidade/meiguice + força/determinação) levou estudiosos a buscarem um termo que definisse a mulher do século XXI. E o nome encontrado foi "mulher andrógina", ou terceira mulher.
"Atualmente, essa expressão é usada para designar a mulher moderna que deseja se casar e ter filhos, mas não se importa por ser responsável pelas finanças da casa e ocupar cargos de liderança, atitudes consideradas masculinas há poucas anos", explica a psicóloga Yasmim Daibs. E defende: "O termo não deve remeter à mulher que possui um comportamento sexual ambíguo, mas sim que tenha características antes mais comuns ao sexo oposto. Está em jogo, então, a mudança de papel social entre homens e mulheres, que causou uma diminuição de diferença entre os gêneros."
Com base nas filosofias de Platão, pode-se dizer que a mulher vive uma luta constante para retomar suas origens. Isso porque, segundo o Mito do Amor, as criaturas possuíam quatro pernas, quatro braços, duas cabeças com faces opostas e os dois sexos, os chamados andróginos. Estes seres, por terem força e poder sobre-humanos, se tornaram muito orgulhosos e decidiram iniciar uma escalada ao céu. Zeus, irritado com tamanha ousadia, decidiu cortar as criaturas ao meio, condenando uma metade a buscar a outra.
Sem a possibilidade de uma junção literal, a mulher se tornou incansável e tem buscado agregar em sua personalidade as características perdidas com a divisão dos corpos. E em vários campos da vida, essa luta se tornou cada vez mais evidente ao longo dos anos.
Dra. Yasmim comenta que no início do século XX, por exemplo, as mulheres que se casavam depois dos trinta anos eram vistas com certo preconceito. Além disso, as profissões não eram abertas para elas, o que deixava a sobrevivência da mulher solteira em risco, principalmente depois que seu pai e irmãos vinham a falecer.
"Em meio a esta situação, era possível encontrar alguns grupos de manifestantes femininas, que se valiam de toda sua força para protestar contra sua situação nas diversas esferas sociais. E atualmente, o que antes era considerado um ato de rebeldia e revolta, passou a ser uma atitude comum e até mesmo esperada. Exigir melhores condições de trabalho e papéis sociais semelhantes aos dos homens não é mais atitude de uma minoria, mas sim de grande parte das mulheres".
A professora Carla Regina Alonso Diéguez, docente da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP) e especialista em Sociologia do Trabalho, explica que a vida profissional da mulher teve início na década de 20, quando ela precisou ajudar o marido a compor a renda. "Não dava para viver apenas com o salário de operário. Aos poucos ela foi entrando no mercado de trabalho e esse processo ficou mais forte com o movimento feminista".
Na Semana de Arte Moderna, conhecida como Semana de 22, Carla Regina lembrou que uma pessoa foi responsável por dar mais voz à mulher, a escritora e jornalista Patrícia Galvão, a Pagu. "Ela defendia que a mulher poderia se envolver na política. Dez anos mais tarde, em 1932 foi assegurado o voto feminino. E a partir da década de 80 vimos algumas mulheres conquistarem espaços nesse setor, como Luiza Erundina (São Paulo), Telma de Souza (Santos) e, mais tarde, Marta Suplicy na prefeitura de São Paulo. Ainda assim, é importante ressaltar que a participação feminina na Câmara dos Deputados segue reduzida".
A professora diz também que hoje persiste uma forte difusão do trabalho sexista. Profissões como enfermeira, professora, ou seja, que são sinônimos de afetividade, sensibilidade e cuidado, são consideradas predominantemente femininas. Já as que exigem virilidade e força, como operário, pedreiro são voltadas para os homens. Além disso, a desigualdade com trabalho e renda fez com que a mulher recorresse às carreiras acadêmicas.
"Um homem que faz Engenharia consegue trabalhar na área e alcançar altos cargos rapidamente, já a mulher não consegue esta mesma posição apenas estudando. Por isso, ela parte para o mestrado e doutorado, que oferecem boas bolsas de estudo. Tanto é que nós apresentamos maior escolaridade do que o homem e há no mercado um número muito maior de doutoras do que de doutores", lembra. "O problema é que o mercado tem dificuldade para absorver essas mulheres altamente qualificadas."
E quando a mulher conquista cargos de liderança, passa por outra transformação: a da masculinização, uma vez que precisa usar as mesmas armas do homem para competir e sobreviver no mercado. "Ao mesmo tempo, ela ainda consegue incluir no seu papel de líder um pouco de sensibilidade e poder de conciliação, o que faz com que as relações de trabalho lideradas por mulheres sejam mais tranquilas e produtivas.
Mesma função = salários iguais
Outra conquista recente das mulheres no campo trabalhista aconteceu por meio do Projeto de Lei aprovado pela Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado em caráter terminativo. Ele prevê multa para as empresas que não igualarem os salários de homens e mulheres que ocupam os mesmos cargos. A medida segue agora para sanção presidencial. "Uma lei de 1957 já previa isso e precisamos de mais de 50 anos para criar uma nova lei que ratificasse isso! A ação só prova que vivemos numa sociedade patriarcal e que o Estado ainda precisa regulamentar esse tipo de coisa", critica a professora especialista em Sociologia do Trabalho.
Diante deste cenário contemporâneo, algumas prioridades da mulher também se alteraram. Dra. Yasmin ressalta que, se há algumas décadas o esperado era casamento e filhos em torno dos vinte anos de idade, hoje, estes planos foram adiados. "Passou a ser mais urgente a ascensão profissional, a aquisição de bens e a estabilidade econômica e podemos ver cada vez mais a incidência de gravidez tardia ou até mesmo o número crescente de casais que não desejam ter filhos, por acreditar que teriam que abrir mão de seus desejos e vontades, pelos desejos e vontades dos filhos."
Em busca do prazer
O divisor de águas na vida das mulheres foi a chegada da pílula anticoncepcional, na década de 50. O contraceptivo fez com que o sexo puramente para reprodução fosse reavaliado. Chegava a hora de a mulher sentir prazer na cama e dar vazão às suas fantasias. "Esta mudança, somada a todo o contexto histórico, tornou comum também entre as mulheres o sexo fora dos relacionamentos, o casual. Desta forma, as atitudes de ambos os sexos diante do assunto se tornaram muito semelhantes", afirma a psicóloga. \'
E quando o assunto é relacionamento, a psicóloga e coach amorosa Eliete Matielo, idealizadora da agência de relacionamentos Eclipse Love, acredita que a mulher evoluiu e muito nesse quesito, mas ainda sofre por conta dos exageros. "Elas são oito ou 80. Querem ser cortejadas, conquistadas, mas não querem se esforçar pela relação. Tenho uma paciente que saiu com um rapaz e reclamou comigo que ele era "lerdinho". Porém, quando perguntei se ela havia ligado, mandado uma mensagem, como forma de estimular o rapaz, ela ficou indignada e disse que não, pois achava que esta atitude a faria parecer grudenta".
Por outro lado, lembra que a mulher "faz-tudo" tende a se relacionar com rapazes submissos e comautoestima mais baixa. "Geralmente este perfil de parceira quer alguém igual a ela, o que não funciona. O amor é como um carro. Só tem um volante. Um dirige e o outro fica de passageiro e, periodicamente, as posições são trocadas. Se os dois só quiserem o volante, o relacionamento será uma briga constante", finaliza Eliete.
Por Juliana Falcão (MBPress)

mulher amelia

Terceira mulher - nem Amélia, nem moderna

 

Uma musica consagrou o termo Mulher Amélia como a “mulher de verdade”. Creio que hoje em dia assustaria quem ouvisse alguém dizendo que uma mulher de verdade não tem vaidade e acha bonito não ter o que comer.

Eis uma parte da letra de autoria de Ataulfo Alves  e Mário Lago:

“Ai, meu Deus, que saudade da Amélia

Aquilo sim é que era mulher

Às vezes passava fome ao meu lado

E achava bonito não ter o que comer

E quando me via contrariado

Dizia: Meu filho, que se há de fazer

Amélia não tinha a menor vaidade”

As vezes eu penso se esta mulher existiu mesmo ou se houve uma época quando ser mulher era quase uma profissão na qual se obrigava a ter um homem ao seu lado para que ele fornecesse casa e comida. Nestas condições aceitar e considerar bonito o fato de passar fome era a única opção para quem não queria correr o risco de sair do casamento e perder o “emprego” de mulher de alguém.

Creio que o prazer na existência de “Amélias” está mais na cabeça dos homens do que  no coração das mulheres.  Talvez algumas, mas acredito que poucas mulheres possam sentir prazer e realização em não ter vaidade e almejar muito pouco da vida. Talvez os homens se sintam mais seguros em ter “Amélias” ao seu lado pois esta mulher garante poucas exigências de proatividade.

O caminho do meio, como dizem os budistas, é sempre o melhor para qualquer situação. Não imagino uma relação feliz com qualquer uma das partes fazendo o papel de eterno insatisfeito e tão cheio de amor próprio que não caiba espaço para gestos de amor dentro de casa. A mulher “super moderna”, antenada, e cheia de compromissos talvez não perceba que a empatia é algo precioso demais para ser deixado de lado.

Talvez o que faça um relacionamento funcionar seja o casal que respeita as necessidades, dores e fragilidades do outro a ponto de calar quando for necessário e falar quando for preciso.

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