Falta de atenção e hiperatividade : quando é hora de buscar um tratamento?

Falta de atenção e hiperatividade são problemas muitas vezes relatados no ambiente escolar. Porém esses comportamentos podem ocorrer em diferentes lugares e ligados a diferentes pessoas. Mas quando é o momento de se preocupar e buscar ajuda profissional para seu deficit de atenção ou hiperatividade?

Professores, educadores e outros profissionais em contato direto com crianças em idade escolar costumam trabalhar com o desafio de manter a atenção de crianças de diferentes idades sobre conteúdos novos que desafiam a maturidade e os esquemas de atuação em que as crianças já estão acostumadas a utilizar.
Do mesmo modo, espaços de trabalho lutam para elaborar estratégias ambientais e individuais de motivação para melhorar o desempenho e a produção de seus funcionários.


A falta de atenção e hiperatividade são dois ingredientes que vão contra a ideia de eficiência fabril que às vezes é exigida de nós no dia a dia.
Além de nos dedicarmos às exigências do estudo e trabalho, há momentos em que desfrutando de atividades de lazer também podemos nos sentir distantes do máximo aproveitamento possível das situações que deveriam ser prazerosas.


Como diz a sabedoria popular, “tudo que é demais faz mal”. Assim, diríamos que trabalhar no máximo da sua capacidade atencional e produtiva por muito tempo pode “fundir seu motor”, como num carro sem lubrificação que ainda se mantém em aceleração máxima após centenas de quilômetros.

Como não se perder por aí
Ou o deficit de atenção no seu limiar prejudicial


Dispersar sua atenção, ou não manter o foco num único ponto, ou numa só atividade, ou, dito de outra forma, focar sua percepção num só estímulo pode ser um problema para muitas pessoas.


Não conseguir escrever ou ler um texto maior do que uma postagem de rede social, ou se ver com dificuldade em manter uma conversa com alguém pode representar a ação de um deficit de atenção que, caso comprometa seu cotidiano, deve ser levado ao conhecimento de um(a) especialista.
Você esquece onde deixou as chaves de casa, e justo quando tem um compromisso para o qual se atrasou? Ou organizar as tarefas domésticas com as de estudo e trabalho lhe deixa sobrecarregado(a)?


Se você for do tipo que se perde nas tarefas, ou perde objetos, esquece onde os deixou, ou mesmo, se tem dificuldade de lembrar dos compromissos, você pode ter um deficit de atenção que vale a pena ser observado com mais atenção.


Talvez sua rotina diária esteja tomando muito da sua energia, com preocupações em demasia e o estresse comprometendo sua saúde física e psicológica sem que você perceba, e daí o famoso deficit de atenção seja somente um sintoma de algo mais.


Quem sabe melhorar a qualidade do seu sono ou sua alimentação melhorem sua atenção e você consiga focar mais nas suas atividades.
Eventualmente o transtorno de deficit de atenção e hiperatividade, o TDAH, venha a sua mente como uma possibilidade para nomear o que você está experimentando.

TDAH e sua apresentação médica


Sob a perspectiva médica, o transtorno de deficit de atenção e hiperatividade (TDAH) é um transtorno que afeta a capacidade de concentração do indivíduo, que, na maioria das vezes, apresenta um estado de inquietação bastante acentuado.


É o diagnóstico mais comum na infância e se caracteriza por três categorias principais de sintomas: desatenção, impulsividade e hiperatividade.
De acordo com o "Manual de Diagnóstico Estatístico de Transtornos Mentais"- em sua 5° edição, o DSM-5-, o TDAH em crianças está relacionado ao baixo desempenho escolar e acadêmico,e exclusão social.


Entre adultos o diagnóstico se relaciona a baixo desempenho e sucesso, especialmente em áreas profissionais, promovendo desemprego e maior incidência de Conflitos interpessoais.


Ainda segundo o DSM-5, os adolescentes com os sintomas do quadro de TDAH são mais propensos a desenvolver transtornos comportamentais e de personalidade antissocial na idade adulta, aumentando a possibilidade de uso de drogas e aprisionamento pelo Estado, entre outros fatores negativos.

Validade do diagnóstico de TDAH


Independentemente do que se possa pensar serem os méritos percebidos da construção do TDAH como um “diagnóstico” que tem origem biológica e pode ser “tratado” com medicação, a verdade científica é que não pode ser pensada como uma entidade científica válida e a recomendação vigente para o seu tratamento que normalmente dá prioridade à medicação sem limites de tempo não é baseada em evidências.


Já se tentou provar que haveria características específicas e mensuráveis do TDAH no corpo humano, em sua anatomia, através de desequilíbrios químicos, até no código genético humano, mas nada foi provado cientificamente até o momento.


Assim, não há uma ferramenta diagnóstica através de exames de imagem, sangue ou sequenciamento de DNA que possa apontar sinais de TDAH numa pessoa.

Diagnósticos possíveis para falta de atenção e hiperatividade


Como dissemos acima, o deficit de atenção pode ter outras origens que não sejam neurobiológicas, como as ambientais, ligadas muitas vezes à dieta, e a manutenção saudável do seu biorritmo individual.


Outros fatores podem envolver a percepção de falta de atenção e hiperatividade: interesse pela tarefa, ou pela recompensa prevista pela realização daquela tarefa específica, por exemplo. Isso para mencionar questões pontuais relacionadas ao ambiente da pessoa e sua associação a ele.
Além da perspectiva prática da ação observável há também que se questionar sobre os afetos envolvidos com a situação que provoca o deficit de atenção ou a hiperatividade.


Talvez a situação que provoque falta de atenção seja ansiogênica, ou seja, provoque ansiedade em você. Tal como ter de lidar com um vendedor no telemarketing, que entra em contato com você, aleatoriamente, e quer lhe vender um produto que você não deseja, e não precisa.
Numa situação dessas não dá um nervoso, seus pensamentos não começam a vaguear, suas mãos e pés começam a se mover nervosamente, e você se sente pronto(a) para fugir (ou atacar)?


Pronto! Podemos diagnosticar você com TDAH. Ou será? Na verdade, olhar eventos isolados como a hipotética ligação do telemarketing não nos dá uma visão geral do problema.


É preciso observar se há outros sintomas, quando eles ocorrem, se parecem estar ligados a outros, qual sua frequência, se aparecem quando se está sozinho(a) ou acompanhado(a) (e de quem), e qual seu efeito para seu bem-estar.

Tratamento para falta de atenção e hiperatividade


A psicoterapia é a principal opção para tratar falta de atenção e hiperatividade.
Inicialmente, o(a) profissional conduzirá uma avaliação individualizada que pode contar com entrevistas e testes psicométricos para verificar seu nível de atenção e concentração, bem como seu comportamento diante de diferentes situações.


Dependendo da sua idade e da situação que desencadeia o padrão de falta de atenção e hiperatividade podem ser recomendadas diferentes ações com uma terapêutica que se estenda mais ou menos no tempo.


Tudo vai depender da estratégia utilizada e das características pessoais de paciente e psicoterapeuta.
Você pode entrar em contato conosco e agendar sua consulta para conseguir orientação e tratamento profissionais.

Marisa de Abreu

Psicóloga

CRP 06/29493

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Referências

AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION et al. DSM-5: Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. Artmed Editora, 2014.

TIMIMI, Sami. Insane Medicine: How the Mental Health Industry Creates Damaging Treatment Traps and How you can Escape Them. Editora do Autor. 2020.

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