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Viciada em compras

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Entrevista cedida por Tatiana Berta, Psicóloga Clínica, Especialista em Terapia Comportamental e Cognitiva pela Universidade de São Paulo (USP). Matéria sobre Consumo Consciente para a revista CIÊNCIAS SOCIAIS, da Editora Alto Astral, Seção  "Ação Social"  - Paula Ignácio, jornalista.
1)    Porque as pessoas não se contentam por muito tempo com os produtos que consomem?
As pessoas, de maneira geral, encontram dificuldades em lidar com as frustrações, ou seja: com a necessidade de encarar o espaço existente entre algo idealizado e o que aquilo que é, de fato, possível de ser realizado. Muitas vezes, dificuldades do cotidiano como a perda ou falta de algo real ou imaginário do qual acreditam necessitar, podem levar indivíduos mais desgastados ou com baixa tolerância à frustração, a desenvolverem comportamentos alternativos e nem sempre adaptados, com a função de reparar essa perda, dentre os quais podemos citar o consumo excessivo de bens ou produtos ou até mesmo o gosto pelos jogos ou a dependência de um relacionamento. Comprar excessivamente pode ser um evento, interpretado por nosso cérebro como algo que traz um alívio momentâneo, possível e fácil de ser adquirido: uma espécie de “recompensa”, que ativa justamente as áreas responsáveis pelas sensações de bem-estar em nosso complexo sistema de funcionamento. No entanto, tal atitude pode tornar-se freqüente e desproporcional, tornando-se um sinal de dependência, trazendo prejuízo e sofrimento por comprometer outros aspectos, como relacionamentos e orçamento familiar, por exemplo.
2)    Porque consomem tanto – principais motivos que estão por trás dos hábitos excessivos de consumo?
Um dos motivos que leva ao consumismo exagerado é a exposição constante e inevitável às estratégias do comércio, que acaba por determinar o que seria importante ou conveniente para a pessoa. Quanto mais fragilizada a autoestima, mais facilidade o indivíduo terá de ceder às tentações do consumo, uma vez que, normalmente, possui regras de que é impossível viver sem a aprovação social. Quem é que nunca se sentiu tentado a comprar tal celular ou usar tal grife para ser visto como alguém que “está na moda” ou “dentro de determinada categoria”? O problema, no entanto, não é ceder ao desejo eventual de comprar, mas fazer disso uma necessidade real, o que acaba por afetar a forma como as pessoas se colocam no cotidiano e a comprometer seu autoconceito, quando não é possível adquirir o que se colocou como obrigação. Isso sem contar os problemas práticos, como ver a casa abarrotada de coisas que não tem uma real utilidade e a conta bancária comprometida.
3)    Os estímulos da mídia levam ao consumo para aceitação social. Já teve muitos pacientes com esse tipo de questionamento? Eles se sentiam fora de grupos por não possuírem determinados padrões de consumo?
É comum vermos no consultório pessoas que sofrem por não se sentirem parte integrante de um grupo determinado, ao qual gostariam de pertencer. Muitos pacientes chegam a fazer dívidas para comprar objetos ou bens materiais que não seriam realmente necessários, por alimentarem a “crença” de que se tornariam mais felizes após adquiri-los. Como conseqüência, além de terem que encarar o fato de que a felicidade não veio como conseqüência do gasto,  ainda precisam, muitas vezes, arcar com os custos desproporcionais ao orçamento próprio.  Normalmente, essa necessidade instalada de consumo está relacionada a um padrão de pensamentos disfuncionais e rotineiros, que determina a necessidade de não frustrar o outro, uma vez que desagradá-lo poderia acarretar o risco de ser excluído. É um padrão de comportamento, de forma geral, próprio de pessoas com a autoestima fragilizada e que passaram por experiências, no decorrer de seu desenvolvimento, que não favoreceram o treino necessário para que se colocassem de uma forma assertiva no mundo. Quanto maior a expectativa de ser aceito socialmente, mais elevado se torna o padrão de auto-exigência, o que acarreta, inevitavelmente, em mais sofrimento e mais perdas, pois no que se refere a relacionamentos e aceitação social, não é possível ter o controle sobre o curso dos acontecimentos, uma vez que ser aceito não depende exclusivamente da ação individual ou vontade própria, mas de uma série de variáveis, dentre as quais também da vontade do outro, que é parte da relação.
4)    O trecho abaixo é um dos parágrafos que escrevi para a matéria sobre Consumo Consciente. Poderia comentar um pouco esse texto, apenas para acrescentar o modo de pensar de uma especialista?
“CONSUMO DE BENS PARA MOSTRAR E NÃO PARA DESFRUTAR. As pessoas se preocupam em ter as coisas, mas não se preocupam em serem elas mesmas. É muito bom quando podemos nos mostrar aos outros como somos, sem medo. O consumo traz a falsa sensação de segurança e tranquilidade que muitas pessoas buscam quando se vestem com determinadas roupas ou mostram que possuem determinadas coisas. Precisamos parar de acreditar nas fantasias que os informes publicitários nos impõem.”
O consumo excessivo faz parte de um padrão disfuncional de comportamentos por acarretar prejuízos tanto no aspecto individual como nas relações. No entanto, pelo imediatismo imposto em nosso cotidiano, termina-se por aprender que é possível que sejam supridas, ainda que momentaneamente e de forma disfuncional, algumas lacunas reais ou imaginárias provocadas pela falta do que foi interpretado como necessidade. Muitas vezes, pode parecer bem mais fácil e confortável, aceitar um parcelamento interminável no cartão de crédito, a fim de que seja adquirida a bolsa mais cara e desejada, do que realmente olhar para si próprio, a fim de começar a entender quais são as reais necessidades para que se tenha mais segurança nas relações e, consequentemente, na vida. Cuidar-se implica em observar o que precisa ser mudado e, para isso, dispender a energia necessária na modificação dos comportamentos que não estão trazendo resultado e que geram desgaste. Muitas vezes, é mais fácil permanecer na zona de conforto, ainda que esta não traga felicidade. O ser humano tornou-se imediatista, buscando resultados mais fáceis e com isso acaba, muitas vezes, criando armadilhas como ceder ao alívio momentâneo proporcionado por algumas atitudes que, embora pareçam a solução dos problemas, tornam-se grandes vilões, trazendo dependência e sofrimento. Após a maratona de compras, instalam-se as culpas, o medo e a necessidade real de reparar um dano que poderia ser evitado, caso houvesse o treino de colocar o autocuidado como prioridade nas relações. Uma autoestima fragilizada se mostra em comportamentos inseguros, que levam a padrões inseguros de relacionamento e à possibilidade de frustração.
Tatiana Berta
Psicóloga Comportamental e CognitivViciada em compras
1)    Porque as pessoas não se contentam por muito tempo com os produtos que consomem?
Psicóloga:    As pessoas estão cada vez mais focadas no prazer imediato. Ao adquirir um produto em uma loja temos a sensação de plenitude, a sensação de que agora seremos “felizes” pois temos o objeto que nos completará. Esta sensação maravilhosa é intensificada com o embrulho no qual este objeto nos é entregue, a beleza da loja, a atenção dos vendedores, tudo isso nos dá a sensação de que acabamos de comprar a felicidade. Mas ao chegar em casa, ao usar por algum tempo este objeto, a realidade nos é apresentada e percebemos que se trata de apenas mais um objeto. Neste momento volta a necessidade de sentir novamente aquela plenitude da compra anterior e nos dirigimos a mais uma compra sem necessidade.
2)    Porque consomem tanto – principais motivos que estão por trás dos hábitos excessivos de consumo?
Psicóloga: Carência e ansiedade. As pessoas que não aprenderam a desfrutar a vida em sua forma mais simples e honesta acaba se entregando ao consumismo como forma de satisfazer necessidades maiores. Chega até a ser um pouco de preguiça, pois se a pessoa percebe que o que falta em sua vida são relacionamentos significativos ela também perceberá que trabalhar para atingir esta meta será muito mais trabalhosa do que ir rápida e simplesmente a uma loja e comprar satisfação. Sim, ela tem razão, dá muito mais trabalho desenvolver relacionamentos saudáveis, mas ela não percebe que será muito mais gratificante e com resultados a longuíssimos prazos.
3)    Os estímulos da mídia levam ao consumo para aceitação social. Já teve muitos pacientes com esse tipo de questionamento? Eles se sentiam fora de grupos por não possuírem determinados padrões de consumo?
Psicóloga: Claro, e cada grupo tem sua lista de itens que “devem” se adquiridos sob pena de exclusão social. As mulheres precisam não só de certas grifes, sejam ela de roupas, maquiagem ou produtos para casa como também de frequentar, por exemplo, salão de cabeleireiros que apresentem glamour. De nada adianta chegar com um corte de cabelo maravilhoso se ele foi feito no salãozinho de bairro. Os homens tem seus itens clássicos como carros e eletrônicos. O interessante é que a finalidade nem sempre é de impressionar o sexo oposto, mas se apenas se sentirem admirados e portanto incluídos em seu próprio grupo.
Este sentimento não é claramente expresso, ou seja, as pessoas não dizem “não vou sair com fulana porque ela usa maquiagem barata”, mas dizem “sinto que não temos nada em comum, temos valores diferentes”. Esta é uma forma de racionalizar e não admitir que a futilidade impera.
4)    O trecho abaixo é um dos parágrafos que escrevi para a matéria sobre Consumo Consciente. Poderia comentar um pouco esse texto, apenas para acrescentar o modo de pensar de uma especialista?
“CONSUMO DE BENS PARA MOSTRAR E NÃO PARA DESFRUTAR. As pessoas se preocupam em ter as coisas, mas não se preocupam em serem elas mesmas. É muito bom quando podemos nos mostrar aos outros como somos, sem medo. O consumo traz a falsa sensação de segurança e tranquilidade que muitas pessoas buscam quando se vestem com determinadas roupas ou mostram que possuem determinadas coisas. Precisamos parar de acreditar nas fantasias que os informes publicitários nos impõem.”
Psicóloga:  O que seria da propaganda se não vendessem um monte de ilusões junto com seus produtos. Nenhuma publicidade apresenta o produto em si, mas tenta te convencer que você será mais bacana, mais desejado, mais admirado se comprar aquele produto. Meus deus!!!! Falamos de uma simples margarina mas acreditamos que nossa família será mais unida e feliz se comermos aquela gordura desnecessária!!!. É claro que todos querem uma família feliz e unida, e se conseguiremos isso apenas comprando a margarina X pra que chamar as pessoas desta família para um bate papo que realmente trará a união? Convidar a família para uma atividade juntos pode trazer  muita frustração, as pessoas podem não responder tão bem, talvez tenha que fazer outras tentativas, talvez tenha que mudar de atividades ou estratégias. Quanto trabalho! Acho que vou comprar margarina – mesmo que a fantasia de família feliz se desfaça no minuto seguinte.
O que as pessoas precisam saber é que a vida pode ser muito divertida sem comprar tudo  que for supérfluo. A sensação de realização é muito maior quando nos construímos internamente e olhamos para dentro de nós mesmos e percebemos que erramos, acertamos, mas acima de tudo desfrutamos as verdadeiras conquistas.

viciada em compras1)    Porque as pessoas não se contentam por muito tempo com os produtos que consomem?

Psicóloga: As pessoas estão cada vez mais focadas no prazer imediato. Ao adquirir um produto em uma loja temos a sensação de plenitude, a sensação de que agora seremos “felizes” pois temos o objeto que nos completará. Esta sensação maravilhosa é intensificada com o embrulho no qual este objeto nos é entregue, a beleza da loja, a atenção dos vendedores, tudo isso nos dá a sensação de que acabamos de comprar a felicidade. Mas ao chegar em casa, ao usar por algum tempo este objeto, a realidade nos é apresentada e percebemos que se trata de apenas mais um objeto. Neste momento volta a necessidade de sentir novamente aquela plenitude da compra anterior e nos dirigimos a mais uma compra sem necessidade.

2)    Porque consomem tanto – principais motivos que estão por trás dos hábitos excessivos de consumo?

Psicóloga: Carência e ansiedade. As pessoas que não aprenderam a desfrutar a vida em sua forma mais simples e honesta acaba se entregando ao consumismo como forma de satisfazer necessidades maiores. Chega até a ser um pouco de preguiça, pois se a pessoa percebe que o que falta em sua vida são relacionamentos significativos ela também perceberá que trabalhar para atingir esta meta será muito mais trabalhosa do que ir rápida e simplesmente a uma loja e comprar satisfação. Sim, ela tem razão, dá muito mais trabalho desenvolver relacionamentos saudáveis, mas ela não percebe que será muito mais gratificante e com resultados a longuíssimos prazos.

3)    Os estímulos da mídia levam ao consumo para aceitação social. Já teve muitos pacientes com esse tipo de questionamento? Eles se sentiam fora de grupos por não possuírem determinados padrões de consumo?

Psicóloga: Claro, e cada grupo tem sua lista de itens que “devem” se adquiridos sob pena de exclusão social. As mulheres precisam não só de certas grifes, sejam ela de roupas, maquiagem ou produtos para casa como também de frequentar, por exemplo, salão de cabeleireiros que apresentem glamour. De nada adianta chegar com um corte de cabelo maravilhoso se ele foi feito no salãozinho de bairro. Os homens tem seus itens clássicos como carros e eletrônicos. O interessante é que a finalidade nem sempre é de impressionar o sexo oposto, mas se apenas se sentirem admirados e portanto incluídos em seu próprio grupo.
Este sentimento não é claramente expresso, ou seja, as pessoas não dizem “não vou sair com fulana porque ela usa maquiagem barata”, mas dizem “sinto que não temos nada em comum, temos valores diferentes”. Esta é uma forma de racionalizar e não admitir que a futilidade impera.

4)    Comente o texto abaixo sobre consumo consciente:

“CONSUMO DE BENS PARA MOSTRAR E NÃO PARA DESFRUTAR. As pessoas se preocupam em ter as coisas, mas não se preocupam em serem elas mesmas. É muito bom quando podemos nos mostrar aos outros como somos, sem medo. O consumo traz a falsa sensação de segurança e tranquilidade que muitas pessoas buscam quando se vestem com determinadas roupas ou mostram que possuem determinadas coisas. Precisamos parar de acreditar nas fantasias que os informes publicitários nos impõem.”
Psicóloga: O que seria da propaganda se não vendessem um monte de ilusões junto com seus produtos. Nenhuma publicidade apresenta o produto em si, mas tenta te convencer que você será mais bacana, mais desejado, mais admirado se comprar aquele produto. Meus deus!!!! Falamos de uma simples margarina mas acreditamos que nossa família será mais unida e feliz se comermos aquela gordura desnecessária!!!. É claro que todos querem uma família feliz e unida, e se conseguiremos isso apenas comprando a margarina X pra que chamar as pessoas desta família para um bate papo que realmente trará a união? Convidar a família para uma atividade juntos pode trazer  muita frustração, as pessoas podem não responder tão bem, talvez tenha que fazer outras tentativas, talvez tenha que mudar de atividades ou estratégias. Quanto trabalho! Acho que vou comprar margarina – mesmo que a fantasia de família feliz se desfaça no minuto seguinte.
O que as pessoas precisam saber é que a vida pode ser muito divertida sem comprar tudo  que for supérfluo. A sensação de realização é muito maior quando nos construímos internamente e olhamos para dentro de nós mesmos e percebemos que erramos, acertamos, mas acima de tudo desfrutamos as verdadeiras conquistas.

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